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Mostrando postagens de 2021

MENTIRAS

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  MENTIRAS “Todos somos iguais” Diga ao bater as portas de um palácio. “Siga sempre teu caminho” Qual? “Não mintas” Fale sempre a verdade diante de teus inimigos. “A paz é o que importa” É o que costuma sair da boca dos ditadores. "Adultério é crime”. Por que perdoa? Por que traí?       “Não inveje as coisas alheias” Tire os olhos daquilo que não é seu. “Todos merecem o céu” Repita quando estiver no inferno. “Não seja orgulhoso” Aceite o gozo alheio “Tenha fé” Não se esqueça dela no enterro de seu filho. “O pouco basta” Festeje quando não sobrar sequer um naco de pão. “As mães são sagradas”. Mesmo as que abandonam? “Sou livre de preconceitos” Pare de separar povos por raças “Não insulte”. Portanto, aceite de bom grado as dirigidas a você. “Não revide” Ofereça sua 'cara' com prazer. “Meu pai, meu herói” Sempre, mesmo quando não souber quem é o seu. “Nada vale mais que um sorriso” Principalmente daquele que te venceu. “Lágrimas traduzem a verdade” Mesmo ...

Fragmentos

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Trecho do livro: "O menino do deserto. Não costumo tentar explicar o inexplicável, ou questionar o tenebroso, o racional, o irracional, o lúcido ou o louco! Você está dirigindo em uma noite escura e chuvosa, o carro quebra,  justo quando está sozinho. Você procura ajuda, um telefone, não encontra.  Após uma breve caminhada, depara-se com uma casa em meio ao nada. Uma casa em ruínas, não é estranho o quanto ela lhe parece familiar? Embora você nunca tenha estado ali antes.  Talvez os escritores e os loucos expliquem tantas coincidências, tantos clichês. Você está com medo, apavorado, sente algo errado. Então, por que diabos você entra? Você entra porque precisa de respostas na sua infortunada vida. Lá dentro, os olhos do inexplicável começam a lhe observar. Sentindo em você uma porta generosamente aberta para a psicose e, quando sair, estará levando-a consigo. Nada existe ou jamais existiu, nada dentro daquela casa, mas a sensação de que houve uma história ali, de que algo...

Moralidade Vazia

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  Moralidade Vazia Mostre-me Pássaros cruzando o céu Desenhando traços de nossas vidas. Aponte-me O vento soprando enquanto Nuvens desenham   formas coloridas Revele-me A vida passando sobre nós. Explodindo em palavras difíceis de entender. Responda-me O que há sob nossa pele? Se a morte começa onde os sonhos terminam? Não esconda   nossos desafetos Da minha satisfação Ensine-me Como podemos ficar presos? No pecado original Enquanto acendemos nossa insolência Desmontamos a moralidade vazia.    Viviani Ketely

Insônia

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 Insônia Encosto minha cabeça Em seus ombros nus Procuro uma forma De agradá-la  Para que me abandones  Enquanto persisto  Em um leito de lembranças Tola! Aceito nosso último beijo Por minhas noites, livres enfim.    Viviani Ketely

LIBERDADE

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 LIBERDADE Será que tu repousas em meus pensamentos Junto a delírios sepultados, de onde não lhe alcanço. O que temes Os olhos punitivos, as palavras ácidas, os medos velados?   Sonhos interrompidos, o corpo cansado,   as mentes decrepitas? Não temas Grite, viva, não se esconda, seja a vergonha dos imaculados. A loucura dos sem rumo, o gozo dos amantes A felicidade dos infelizes, a ruptura da imposição Mostre-se Liberdade Não se curve diante a meia-luz. Das grades sociais.                                  Viviani Ketely

Resistência

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  Resistência Não há um ponto a retornar, apenas siga. Resista a esta sociedade viciada em ideias prontas. Quebre as regras criadas para mantê-lo livre de seus pensamentos. Seja a criança que costumava ser. Enfrente seus heróis; você não é um soldado. Não receba ordens. Não aceite que controlem sua mente. Mantenha-se livre das drogas liberadas pelo poder. Consuma pensamentos livres e errantes. Não aceite ideias, atos e mensagens  pre-determinados. Por uma sociedade corrupta. Você não é mais um. Resista. Insista! Não permita que te acorrentem, que te amedrontem. Insista. Resista! Não se cale, seja a voz a ser ouvida. O limite a ser vencido. Por aqueles que se incomodam. Por você ser a resistência. Diga aos seus. “Juntem-se a mim e RESISTAM”.    Viviani Ketely

Únicas

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  Únicas   Já sentiu a chuva fria depois de um dia de sol seus pés beijando a areia quente suas mãos carregando água fresca a boca o vento beijando seu rosto suado o cheiro doce de uma flor deitou-se com um desconhecido sentiu frio em uma tarde de verão amou sob um céu coberto de estrelas beijou o espelho tomou banho de roupa deixou o sorvete ir ao chão chorou vendo um filme de amor sentiu medo quando ele fechou a porta comprou coisas que nunca usou carregou o mundo em sua bolsa sentiu que aquela música falava de você afogou as mágoas em uma caixa de chocolates odiou vingou-se arrependeu-se sentiu-se feia gorda magra despenteada insegura decidida namorada esposa amada amante menina mulher assim sou eu assim e você assim é um pouco de todas nos esteja onde estivermos somos quem somos lindas feias ricas pobres conhecidas desconhecidas casadas solteiras mães filhas netas castas despudoradas brancas negras asiáticas cabeludas carecas religiosas ateias clássicas elegantes despo...

O menino do deserto

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  O menino do deserto. "Morto ao alçar a voz'' Amor Alenta-te amor Levanta-te.   O menino do deserto Perambulava solitário, fincando os pés na areia Falando do céu e de escorpiões Trazendo míseras e suadas tâmaras. Deslizando como um anjo entre as brumas arenosas. Brincando próximo ao minarete. Suflando o vento Percorrendo uma rua sem volta.      Menino Não me diga que os rios não correrão mais. Que se afogarão em areias. Não me diga que se perde Aquilo que não se tem Não me deixe levar por seus tolos pensamentos reais.   Menino Não me diga que as almas. Desaparecem nas montanhas. Onde renascerão na noite seguinte Não me diga que a fé não nos irmanará Não me diga que desiste. De mim.   O menino do deserto Brincava de vida Destinava comiseração Arfava-se de dor O menino do deserto Desenhou o celerado Acenou sorrindo Até verter A vermelha fé.   Amor regresse am...

LUA

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                                                                                                                              LUA Caminhe lentamente Sobre meu corpo Dê-me suas mãos Brancas Seu beijo doce Sob a lua densa Nua Calada Ame-me. Como a mais perfeita É cálida Homenagem Caminhe por entre Os vales escondidos De minha alma. Emudeça meu silêncio Refresque meu corpo A lua nos trará Lembranças Dessa  noite Que se banhou De tolos pensamentos Em serenata Que se faça A  áurea Sobre nossos corpos Perdidos Refugiados em encantamento. Guie meus lábios Em direção aos seus Entrelace minhas mãos Nas suas úmidas mãos Absorva os segr...

LIVRE

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  LIVRE Caminho sob as sombras da ignorância Sigo passos desenhados pela hipocrisia Encontro-me em meio a rostos desnudos De sorrisos cavilosos Assino as regras impostas por uma Sociedade servil desesperada Em busca da vida conformista Previamente descrita Artificialmente rebuscada Por burgueses inexatos   Posto-me diante da esfinge ‘humana’ Que me devora por minha inabilidade Buscam a ‘incoerência’ dos meus atos No grande livro das condutas toleráveis Julgam minha cor, meu corpo, julgam minha fé ou a falta dela Julgam minhas roupas, meus cabelos e até minha libido Enquanto    psíquicos mestres Assinam o veredito “Inapta ao convívio da sociedade moral’’ Munidos de suas verdades, encerram ‘a liberdade’     Agiganto-me derrubo o embuste Dilacero as amarras, retiro a   casca imposta Regozijo na indecência da decência dos castos Purifico-me na alma dos impuros, puros Beijo cinicamente a face dos acéfa...

NATURAL

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  NATURAL Pousado em teu seio quente. A relva do amanhecer. Guarda tuas lembranças. De longínquos momentos brandos.   Teu grito ecoa solitário. Perdido, despido. Arrependido.   Tuas águas mornas. Dragam-se nas rupturas humanas.   Quem há de cuidar de ti? Eu? Que tão pouco sei de mim! Que não dou mais, que um passo. Sem te ferir, sem lançar sobre ti. Os malefícios da modernidade.   Tu que eras tão bela, tão jovem. Traz agora marcas indeléveis. Em tua face azul.   Teus seres outrora livres. Agora se veem aprisionados. Enjaulados, acuados. Tristes, perdidos.   Tuas vestes vivas, coloridas. Agora são moldadas, refeitas, recicladas.   Esperamos tanto de ti. Tiramos tanto de ti. Em troca, derramamos por todo o teu corpo robusto. Nossos refúgios, nossos dejetos, nossa ignorância.   Ainda me lembro de ouvir falar que tu. Um dia foi tão verde que parecia eterna. Ouvi falar que...

O Samba

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  O Samba O samba, não mora mais aqui fez as malas e partiu para onde ninguém viu. O samba, carregou a felicidade deixando a saudade do mestre que partiu. A lua ilumina a pobreza dando de cara com a certeza que a força mora aqui. Com os meninos deixou a esperança e o ouro em seus pés. Na roda canta-se a tristeza misturada com a incerteza de que o samba, não vai mais voltar. O samba ouviu todos os lamentos resolveu do firmamento então voltar. O samba chora a saudade   de outros tempos quando vestido de majestade andava de braços dados com a liberdade.                             Viviani Ketely

Escrever

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  Escrever? Escrever é grato, lúdico, prazeroso, esclarecedor. Discordo! Escrever é penoso, ingrato, desafiador. Cada linha, uma sentença; cada página, uma tortura. Sofrimentos, desilusões, por fim fracasso. Escrever é se agarrar em caminhos escuros, parcos, inverossímeis. Pôr-se à espera do julgamento filosofal. Do travestido de bom entendedor. Daquele que te pune, que te ignora, por não ser o próprio. Objeto de tuas linhas. Escrever é sangrar na minha ignorância. É estar sozinha, sempre.                                                                                 Viviani Ketely