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                       Minha Ignorância. Perdoe minha ignorância diante do seu tamanho saber Filosofia de nada sei Diante das existências, moralidades, valores e  questionamentos Prefiro manter-me pensativa Diante de uma racionalidade matemática Prefiro ser irracional Diante de questionamentos literários Fico  apenas com as palavras do autor Diante de sua perfeita distribuição geográfica Assisto ao  caos humano Diante da semântica Prefiro as metáforas efêmeras Diante da ciência da matéria Prefiro a imprecisão dos pensamentos Diante da objetividade física Fico com a teoria Diante de toda sua proficiência Fico com a mestria da minha inépcia. Viviani Ketely  

EU

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                                                                 Eu   “C” confesso não ser de toda má tampouco estar nos braços da benevolência sou um anelo vital moldada ao prazer de um déspota trago em meu corpo marcas profundas cravadas em lembranças longínquas e incoerentes reminiscências presentes não nasci infância forjaram-me ferro tiraram-me a graça entorpeceram-me a vida   “A” de todos os momentos que a vida me trouxe um insiste em sobreviver aquele cujo habitante fecha meus olhos à noite para beijar-me as sombras da existência deixando um gosto único doce, frugal… Ainda sinto seu cheiro impregnando meu frescor absorvendo a seiva de minha boca ainda guardo seu sorriso dentro de meu ser recordo-me de seus olhos tragando minha alma enquanto você sustenta-me no vazio se hoje pude...

Meu senhor

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Meu senhor Não me maltrates Não me puna, não torture Não dilacere minha alma Não me enterre  Me sufoca Não olhe nos meus olhos Verás toda a verdade De quanto lhe desprezo Meu senhor Não me vença Pelo medo Não me guie em desespero Não me castigue Por favor Meu senhor Não me tire a inocência Não despreze meus desejos Não quero seus cuidados Não chore por meu amor Meu senhor Tome cuidado Não feche os olhos Ao cair da noite Mantenha-se acordado Ao meu lado Não se arraste Pedindo meu perdão Meu senhor De seus lábios Beijá-los-ei com cuidado Deitarei mel em sua boca Serei breve em minhas palavras e eterna em odiar-lhe Meu senhor Sangrarei em dores Depois do desejo De cortar sua garganta Meu Senhor Liberta-me do teu amor insano Meu senhor Olhe o que fez Impôs-me o eterno castigo De não conseguir Matá-lo. Viviani Ketely

Língua Estranha

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  Língua Estranha Sento-me diante da besta de feições falhas Carregada de emoções reprimidas Vagando entre os lábios da ignorância 'Cortando' a língua estranha Ouvindo vozes indolentes Que se colocam À frente das palavras malditas e escondias Dos que se dizem pensadores Mas é apenas engodo Do romantismo estúpido Que fala do 'eu' Assumidamente costurado Na imbecilidade humana De tolos que se digladiam Que sucumbem à racionalidade - ao inferno com ela Tolos traídos pelo ego Pela soberba Tolos que absorvem a religiosidade Tentando esconder O demônio que habita em suas cabeças Proletários da bestialidade Discutam! Falem! Hipócritas Deem o final poético e patético Coerente a cada um.                                                Viviani Ketely

QUE BELO!

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QUE BELO! Do findar ao principiar, soarão os sinos. (A Bela Morre.) Que belo Ela dança Entre os anjos Que belo! Que triste Soaram os sinos Que triste! Que triste Ela morreu Que triste! (O amor mata.) Lágrimas não bastam Tampouco todo o seu amor As mãos fortes e tremulas A sufocam Tiram-lhe o ar Tiram-lhe os sonhos Tiram-lhe tudo Tudo! Ele a beija Sedento de amor e desespero Perdido em um caminho sem volta Ele busca palavras Que não tem Ele chora! Ela… lamenta Ele derrama suas mãos Sobre ela Ele grita de satisfação e arrependimento Os anjos não parecem ouvi-lo Ela, sim Ela sim!   (A paixão cega.) Seus lábios esperam Por um beijo Seu coração Quer libertar Todo  amor Contido Escondido! (O mal espreita.) Seus passos são largos Na estreita rua escura Ela não o vê Ele a busca com firmeza Ela se volta Que bom Que veio Ela sorri! (O belo é coroado.) Que belo! Depois dos apla...

Lembre-me

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'LEMBRE-ME' Não se esqueça de lembrar-me. Que não devo partir durante a noite! Tampouco ficar sem ter contigo durante longos dias. Faça-me jurar Que serei teu para sempre! Ao contrário de ti.   Mande-me assinar Um termo de compromisso Diante de um sisudo homem da lei Que todos os dias lhe trarei uma rosa. Por mais que me custe.   Por Deus, prometo todas as tolices que me pedes. Caminhar entre as flores, andar de mãos dadas. Desenhar corações na areia Reparar na tua roupa, gostar do teu cabelo. Lembrar-te todos os dias. Que é perfeita!   Como você quiser! Dançaremos ao luar Falaremos do meu passado Eu lhe juro Pedirei perdão pelo que fiz. É pelo que tu insistes em dizer que fiz.   Serei teu escravo Acorrentado em teu corpo de ninfa. Sedento por tua boca Clamando clemência A ti, que é a razão Da minha existência.   Serei um menino Diante de tua força Esconder-me-ei. Por trás de teus cabelos Dentro de teus olhos de deusa absoluta Buscarei proteção.   Deitar-me...

Rascunhos

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  Rascunhos   Caminho por minhas memórias não posso voar não me lembro como fazer!   …A vida derrama-se em dúvidas não há uma segunda chance. A vida derrama-se em enganos não há respostas. Palavras não duram do outro lado serão apenas rascunhos da nossa existência.                                        Viviani Ketely

Demônio de Ninfa

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  Demônio de Ninfa   Ela anda balançando as ancas mordendo os mimosos dedinhos Demônio de ninfa lança pedrinhas em minha decência enquanto dobra os joelhos sobre minha imaginação Demônio de ninfa afoga-me em seu ser cruel testando minha lucidez olhado-me com olhos pedintes enquanto arranca minha alma Demônio de ninfa usa-me a seu favor sorrindo esmagando as flores vivas em meu peito Demônio de ninfa atira-me a temeridade molhando suavemente a boca pisando-me acaloradamente Demônio de ninfa arqueia meus membros lança-me ao eterno Demônio de ninfa morro supliciado a seus pés                                                 Viviani Ketely

MENTIRAS

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  MENTIRAS “Todos somos iguais” Diga ao bater as portas de um palácio. “Siga sempre teu caminho” Qual? “Não mintas” Fale sempre a verdade diante de teus inimigos. “A paz é o que importa” É o que costuma sair da boca dos ditadores. "Adultério é crime”. Por que perdoa? Por que traí?       “Não inveje as coisas alheias” Tire os olhos daquilo que não é seu. “Todos merecem o céu” Repita quando estiver no inferno. “Não seja orgulhoso” Aceite o gozo alheio “Tenha fé” Não se esqueça dela no enterro de seu filho. “O pouco basta” Festeje quando não sobrar sequer um naco de pão. “As mães são sagradas”. Mesmo as que abandonam? “Sou livre de preconceitos” Pare de separar povos por raças “Não insulte”. Portanto, aceite de bom grado as dirigidas a você. “Não revide” Ofereça sua 'cara' com prazer. “Meu pai, meu herói” Sempre, mesmo quando não souber quem é o seu. “Nada vale mais que um sorriso” Principalmente daquele que te venceu. “Lágrimas traduzem a verdade” Mesmo ...

Fragmentos

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Trecho do livro: "O menino do deserto. Não costumo tentar explicar o inexplicável, ou questionar o tenebroso, o racional, o irracional, o lúcido ou o louco! Você está dirigindo em uma noite escura e chuvosa, o carro quebra,  justo quando está sozinho. Você procura ajuda, um telefone, não encontra.  Após uma breve caminhada, depara-se com uma casa em meio ao nada. Uma casa em ruínas, não é estranho o quanto ela lhe parece familiar? Embora você nunca tenha estado ali antes.  Talvez os escritores e os loucos expliquem tantas coincidências, tantos clichês. Você está com medo, apavorado, sente algo errado. Então, por que diabos você entra? Você entra porque precisa de respostas na sua infortunada vida. Lá dentro, os olhos do inexplicável começam a lhe observar. Sentindo em você uma porta generosamente aberta para a psicose e, quando sair, estará levando-a consigo. Nada existe ou jamais existiu, nada dentro daquela casa, mas a sensação de que houve uma história ali, de que algo...