Eu
Língua Estranha
Sento-me diante
da besta de feições falhas
Carregada de
emoções reprimidas
Vagando entre os
lábios da ignorância
'Cortando' a
língua estranha
Ouvindo vozes
indolentes
Que se colocam
À frente das palavras
malditas e escondias
Dos que se dizem
pensadores
Mas é apenas
engodo
Do romantismo
estúpido
Que fala do 'eu'
Assumidamente
costurado
Na imbecilidade
humana
De tolos que se
digladiam
Que sucumbem à
racionalidade - ao inferno com ela
Tolos traídos pelo
ego
Pela soberba
Tolos que
absorvem a religiosidade
Tentando esconder
O demônio que
habita em suas cabeças
Proletários da
bestialidade
Discutam! Falem!
Hipócritas
Deem o final
poético e patético
Coerente a cada
um.
(A Bela Morre.)
Que belo
Ela dança
Entre os anjos
Que belo!
Que triste
Soaram os sinos
Que triste!
Que triste
Ela morreu
Que triste!
(O amor mata.)
Lágrimas não
bastam
Tampouco todo o seu
amor
As mãos fortes e
tremulas
A sufocam
Tiram-lhe o ar
Tiram-lhe os
sonhos
Tiram-lhe tudo
Tudo!
Ele a beija
Sedento de amor e
desespero
Perdido em um
caminho sem volta
Ele busca
palavras
Que não tem
Ele chora!
Ela… lamenta
Ele derrama suas
mãos
Sobre ela
Ele grita de
satisfação e arrependimento
Os anjos não
parecem ouvi-lo
Ela, sim
Ela sim!
(A paixão cega.)
Seus lábios esperam
Por um beijo
Seu coração
Quer libertar
Todo amor
Contido
Escondido!
(O mal espreita.)
Seus passos são
largos
Na estreita rua
escura
Ela não o vê
Ele a busca com
firmeza
Ela se volta
Que bom
Que veio
Ela sorri!
(O belo é
coroado.)
Que belo!
Depois dos
aplausos
Recolhem-se todas
As pétalas
Do fim do
espetáculo
Levemente, ela
toca
Seus pés nas
nuvens
Suas mãos deslizam
Seu corpo se
inclina
Que alívio
Acabou!
(A inveja persegue.)
Os olhos dele
seguem os cumprimentos recebidos
Os olhos dele
seguem todos os olhares
Que a ela são dados
Ela se deslumbra
Ele arde de ódio
Ódio!
Que belo!
Soaram os sinos
(O cair se
levanta)
Rostos estranhos
estão à sua frente
Carregados de
sentimentos, sofrimentos, desapego
Que estranho
Ela sente!
Suas mãos buscam
as mãos seguras e frias
De seu par
Seu sorriso está
escondido
Sua decepção
Ela vê!
Ela dança
Em um suave
levitar
Ela cai
Que inevitável
Ela cai!
(A beleza toca.)
Levemente, ela
desliza
Vai de um lado a
outro
Todos os olhares
a acompanham
Ela é absoluta
Ela é única
Que triste
Única!
Ela dá o primeiro
passo
Sussurra proteção
Ela gira,
lindamente ela gira
Seus pés cortam o
ar
Desenham o belo
O sagrado
A arte!
A ansiedade toma
a todos
Que
compartilharão os aplausos
Até o soar dos
sinos
Dos sinos!
(O espetáculo começa.)
Abrem-se as
cortinas
Enfim
Abrem-se as
cortinas
Púrpuras
cortinas!
A espera é longa
Ela disfarça
Sorri
Reza
Ela reza!
Em passos largos
Caminha em
direção
Ao palco
Tão feliz
Tão feliz!
Seu rosto coberto em áurea brilhante
Seu corpo
envolvido
Em véus de
estrela
Que linda
Que linda!
Enfim
Hoje soarão os
sinos
Enfim!
''Do principiar ao findar, soaram
os sinos''
'LEMBRE-ME'
Não esqueça: de lembrar-me.
Que não devo partir durante a noite!
Tampouco ficar sem ter contigo durante
longos dias.
Faça-me jurar
Que serei teu para sempre!
Ao contrário de ti.
Mande-me assinar
Um termo de compromisso
Diante de um sisudo homem da lei
Que todos os dias: lhe trarei uma rosa.
Por mais que me custe.
Por Deus prometo todas as tolices que me
pedes.
Caminhar entre as flores, andar de mãos
dadas.
Desenhar corações na areia
Reparar na tua roupa, gostar do teu cabelo.
Lembrar a ti todos os dias.
Que es perfeita!
Como você quiser!
Dançaremos ao luar
Falaremos do meu passado
Eu lhe juro
Pedirei perdão pelo que fiz.
É pelo que tu insistes em dizer que fiz.
Serei teu escravo
Acorrentado em teu corpo de ninfa.
Sedento por tua boca
Clamando clemência
A ti que es a razão
Da minha existência.
Serei um menino
Diante de tua força
Esconder-me-ei.
Por trás de teus cabelos
Dentro de teus olhos de deusa absoluta
Buscarei proteção.
Deitar-me-ei na areia a tua espera.
Confessarei alegremente as estrelas
O eterno suplício, a que me obrigas.
Por te querer tanto
Prometo confessarei.
É tu
Conduziras meus desejos
Ao prazer dos teus
Murmurarei em teu ouvido
Que
es a única
Que jamais houve ninguém
Que amei, como a ti.
De todas às verdades que lhe foram ditas.
Esta é a única que vale.
Ser lembrada.
Chorarei a cada partida
Por mais breve que dure.
Serei forte
Não lamentarei.
Enxugarei tuas lágrimas
As compreenderei, sempre
Sabendo que não são para mim.
É sim, por mim.
Brincarei de te possuir
De ser teu dono
De fingir que não me incomodo.
Com o teu tão presente abandono.
Absolverei toda a tua culpa.
Serei sua vítima passível.
Lembrarei a todo momento
Que sou um homem de sorte!
Que o deserto me trouxe você.
Direi sempre que es a mais bela.
Entre todas as black iris.
A mais perfeita montanha de Wadi Rum.
Em troca!
Quero o teu sorriso
Teus sonhos infantis
Tuas tardes livres
Toda a falsidade e mentiras.
Que saem da tua
Inocente boca.
(Amin para Hanna — Livro: O menino do deserto - Viviani Ketely)
Ela anda balançando as ancas
mordendo os mimosos dedinhos
Demônio de ninfa
lança pedrinhas
em minha decência
enquanto dobra os joelhos
sobre minha imaginação
Demônio de ninfa
afoga-me em seu ser cruel
testando minha lucidez
olhado-me com olhos pedintes
enquanto arranca minha alma
Demônio de ninfa
usa-me a seu favor
enquanto sorri esmagando
as flores vivas
em meu peito
Demônio de ninfa
atira-me a temeridade
molhando suavemente a boca
pisando-me acaloradamente
Demônio de ninfa
arqueia meus membros
lança-me ao eterno
Demônio de ninfa
morro supliciado
a seus pés
MENTIRAS
"Todos somos
iguais"
Diga ao bater as
portas de um palácio.
"Siga sempre
teu caminho"
Qual?
"Não
mintas"
Fale sempre a
verdade diante de teus inimigos
"A paz é o
que importa"
É o que costuma
sair da boca dos ditadores
"Adultério e
crime"
Por que perdoa?
Por que traí?
"Não inveje
as coisas alheias"
Tire os olhos
daquilo que não é seu
"Todos merecem
o céu"
Repita quando estiver
no inferno
"Não seja
orgulhoso"
Aceite o gozo
alheio
"Tenha
fé"
Não esqueça dela
no enterro de seu filho
"O pouco
basta"
Festeje quando
não sobrar sequer um naco de pão
"As mães são
sagradas"
Mesmo as que
abandonam?
"Sou livre
de preconceitos"
Pare de separar
povos: por raças
"Não
insulte"
Portanto aceite de
bom grado, as dirigidas a você
"Não
revide"
Ofereça sua
'cara' com prazer
"Meu pai,
meu herói"
Sempre, mesmo
quando não souber quem é o seu
"Nada vale
mais que um sorriso"
Principalmente
daquele que te venceu
"Lágrimas
traduzem a verdade"
Mesmo a dos traidores
"Cada um têm
aquilo que merece"
O que realmente merecemos?
"Que o homem
não separe aqueles que Deus uniu"
Viva infeliz
"O amor é
eterno"
Diga adeus
sorrindo quando for abandonado
"O dia é belo"
Os apaixonados preferem
a noite
"Vive-se apenas
uma vez'
Não carregue lembranças
das 'outras'
"Aceite teu
destino"
Toma para si
todas as dores
"Sempre
haverá alguém a teu lado"
Se não encontrar
a 'mão amiga' na hora da sua morte, lamente-se sozinho até seu fim
"Deus é
único"
Verdade! Então por
que dividi-lo?
"Diga sempre
a verdade"
Mentira!
"No abandono
ou no tormento encontrará forças para prosseguir"
Verdade?
Não costumo tentar explicar o
inexplicável, ou questionar o tenebroso, o racional, o irracional, o lúcido ou
o louco.
Você está dirigindo em uma
noite escura chuvosa, o carro quebra,
justo quando está sozinho.
Você procura ajuda, um
telefone, não encontra. Depois de uma breve caminhada. Você se depara com uma
casa em meio ao nada.
Uma casa em ruínas, não é
estranho o quanto ela lhe parece familiar, embora você nunca, tenha estado ali
antes, talvez os escritores e os loucos expliquem tantas coincidências, tantos
clichês.
Você está com medo, apavorado,
sente algo errado.
Então por que diabos você
entra?
Você entra porque precisa de
respostas, na sua infortunada vida.
Lá dentro os olhos do
inexplicável começam a lhe observar. Sentindo em você uma porta generosamente
aberta para a psicose e quando sair a estará levando consigo.
Nada existe ou jamais existiu,
nada dento daquela casa, mas a sensação de que houve uma história ali, que algo
um dia aconteceu, lhe faz arder. Então você sente o obscuro, o invisível.
Não se pergunta às vezes por
que ninguém nunca os vê? Ninguém nunca os toca? Porque os miseráveis insistem
em lhe perseguir em estar ao seu lado? Não se esqueça. Foi você quem abriu a
porta.
Você luta contra sua alienação
mental, mas está sempre a procurar algo atrás das cortinas, a outra face no
espelho.
Teme em ficar só, no entanto,
desce escadas escuras no meio da tempestade.
Não há nada a sua frente,
então como escapar da dormência da sua racionalidade?
Antes de dormir você olha embaixo
da cama, suspira aliviado, por nada ver. Será?
Subitamente abre as portas do
armário e ali está o objeto do teu medo da tua agonia, o nada, novamente.
Você se sente só
incompreendido emotivo.
Precisa fazer, a clássica pergunta
sem ela nada estaria completo.
“Quem está aí?”.
Tolo!
No fundo, sabe que não haverá
resposta, mas se um dia ele resolver dizer: “Eu”.
Você pensará, quem será este
“eu” que nunca vi? Não sei seu nome, não participei, de sua vida, não toquei
seu corpo, quem afinal ele será?
Eu lhe digo, ele é apenas
fragmentos de sua própria história.
Um dia que compreenderá por
fim.
Que os esquecidos os
incompreendidos os possuídos não apenas servem a sua demência como se alimentam
dela!
Você precisa voltar ao princípio
a “casa” as ruínas para encontrar a resposta.
Aquela mesma que você nunca
terá…
Porque você é um tolo em
acreditar, ser preciso um caminho a ser encontrado, se você fosse sábio você faria.
Moralidade Vazia
Mostre-me
Pássaros cruzando o céu
Desenhando traços de nossas vidas
Aponte-me
O vento soprando enquanto
Nuvens desenham formas
coloridas
Revele-me
A vida passando sobre nós
Explodindo em palavras difíceis de entender
Responda-me
O que há sob nossa pele?
Se a morte começa onde os sonhos terminam?
Não esconda nossos desafetos
Da minha satisfação
Ensine-me
Como podemos ficar presos?
No pecado original
Enquanto acendemos nossa insolência
Desmontamos a moralidade vazia
Encosto minha cabeça
Em seus ombros nus
Procuro uma forma
De agradá-la
Para que, me abandones
Enquanto persisto
Em um leito de lembranças
Tola!
Aceito nosso último beijo
Por minhas noites, livres enfim.
Será que tu repousas em meus pensamentos
Junto a delírios sepultados, de onde não lhe alcanço
O que temes
Os olhos punitivos, as palavras ácidas, os medos velados?
Sonhos interrompidos,
o corpo cansado, as mentes decrepitas?
Não temas
Grite, viva, não se escondas, seja a vergonha dos imaculados
A loucura dos sem rumo, o gozo dos amantes
A felicidade dos infelizes, a ruptura da imposição
Mostre-se Liberdade
Não se curve diante a meia luz
Das grades sociais.
Resistência
Não há um ponto a retornar apenas siga.
Resista a esta sociedade viciada em ideias prontas.
Quebre as regras criadas, para mantê-lo livre de seus pensamentos.
Seja a criança que costumava ser.
Enfrente seus heróis você não é um soldado.
Não receba ordens.
Não aceite que controlem sua mente.
Mantenha-se livre das drogas liberadas pelo poder.
Consuma pensamentos livres e errantes.
Não aceite ideias, atos e mensagens pre-determinados.
Por uma sociedade corrupta.
Você não é mais um.
Resista. Insista!
Não permita que te acorrentem, que te amedrontem.
Insista. Resista!
Não se cale, seja a voz a ser ouvida.
O limite a ser vencido.
Por aqueles que se incomodam.
Por você ser a resistência.
Diga aos seus.
“Juntem-se a mim e RESISTAM''.
Já sentiu a chuva fria depois de um dia de sol seus pés
beijando a areia quente suas mãos carregando água fresca a boca o vento
beijando seu rosto suado o cheiro doce de uma flor deitou-se com um
desconhecido sentiu frio em uma tarde de verão amou sob um céu coberto de
estrelas beijou o espelho tomou banho de roupa deixou o sorvete ir ao chão chorou
vendo um filme de amor sentiu medo quando ele fechou a porta comprou coisas que
nunca usou carregou o mundo em sua bolsa sentiu que aquela música falava de
você afogou as mágoas em uma caixa de chocolates odiou vingou-se arrependeu-se sentiu-se
feia gorda magra despenteada insegura decidida namorada esposa amada amante menina
mulher assim sou eu assim e você assim é um pouco de todas nos esteja onde
estivermos somos quem somos lindas feias ricas pobres conhecidas desconhecidas
casadas solteiras mães filhas netas castas despudoradas brancas negras
asiáticas cabeludas carecas religiosas ateias clássicas elegantes despojadas reais
sonhadas desenhadas pintadas fotografadas realizadas frustradas amadas rejeitadas
frágeis fortes anjos demônios somos caminhos curvos perguntas sem resposta
somos sangue somos ventre somos únicas
únicas?!!?
''morto ao alçar a voz''
Amor
alenta-te
amor
levanta-te.
O menino do deserto
perambulava solitário
fincando os pés na areia
falando do céu e de
escorpiões
trazendo miseras e suadas
tâmaras
deslizando como um anjo entre
as brumas arenosas
brincando próximo ao minarete
suflando o vento
percorrendo uma rua sem volta.
Menino
que se afogarão em areias
não me diga que se perde
aquilo que não se tem
não me deixe levar por
seus tolos pensamentos
reais.
Menino
não me diga que as almas
desaparecem nas montanhas
onde renascerão na noite
seguinte
não me diga que a fé não
nos irmanará
não me diga que desiste
de mim.
O menino do deserto
brincava de vida
destinava comiseração
arfava-se de dor
o menino do deserto
desenhou o celerado
acenou sorrindo
até verter
a vermelha fé.
Amor
regresse
amor
leve-me
ao fim.
Caminhe
lentamente
Sobre meu corpo
Dê-me suas mãos
Brancas
Seu beijo doce
Sob a lua densa
Nua
Calada
Ame-me.
Como a mais
perfeita
E cálida
Homenagem
Caminhe por entre
Os vales escondidos
De minha alma.
Emudeça meu silêncio
Refresque meu corpo
A lua nos trará
Lembranças
Dessa noite
Que se banhou
De tolos
pensamentos
Em serenata
Que se faça
A áurea
Sobre nossos
corpos
Perdidos
Refugiados em encantamento.
Guie meus lábios
Em direção aos seus
Entrelace minhas
mãos
Nas suas úmidas mãos
Absorva os
segredos
Da lua
Ela admira sua
coragem
Ela contempla
Nossa adorável
tolice
Na noite serena
Branca e cálida
Somos perdoados
Pelo céu, pela
lua
Por sermos
Apenas um.
LIVRE
Caminho sob as sombras da ignorância
Sigo passos desenhados pela hipocrisia
Encontro-me em meio a rostos desnudos
De sorrisos cavilosos
Assino as regras impostas por uma
Sociedade servil desesperada
Em busca da vida conformista
Previamente descrita
Artificialmente rebuscada
Por burgueses inexatos
Posto-me diante da esfinge ‘humana’
Que me devora por minha inabilidade
Buscam a ‘incoerência’ dos meus atos
No grande livro das condutas toleráveis
Julgam minha cor, meu corpo, julgam minha fé ou a
falta dela
Julgam minhas roupas, meus cabelos e até minha libido
Enquanto
psíquicos mestres
Assinam o veredito
“Inapta ao convívio da sociedade moral’’
Munidos de suas verdades encerram ‘a liberdade’
Agiganto-me derrubo o embuste
Dilacero as amarras, retiro a casca imposta
Regozijo na indecência da decência dos castos
Purifico-me na alma dos impuros, puros
Beijo cinicamente a face dos acéfalos, cultos
Saboreio a amizade dos meus
Abraço os que me são caros
Agradeço a compreensão dos incompreendidos
Enquanto aguardo o pedido de perdão: dos ignorantes
Grito: Enfim LIVRE!