Encosto minha cabeça
Em seus ombros nus
Procuro uma forma
De agradá-la
Para que, me abandones
Enquanto persisto
Em um leito de lembranças
Tola!
Aceito nosso último beijo
Por minhas noites, livres enfim.
Encosto minha cabeça
Em seus ombros nus
Procuro uma forma
De agradá-la
Para que, me abandones
Enquanto persisto
Em um leito de lembranças
Tola!
Aceito nosso último beijo
Por minhas noites, livres enfim.
Será que tu repousas em meus pensamentos
Junto a delírios sepultados, de onde não lhe alcanço
O que temes
Os olhos punitivos, as palavras ácidas, os medos velados?
Sonhos interrompidos,
o corpo cansado, as mentes decrepitas?
Não temas
Grite, viva, não se escondas, seja a vergonha dos imaculados
A loucura dos sem rumo, o gozo dos amantes
A felicidade dos infelizes, a ruptura da imposição
Mostre-se Liberdade
Não se curve diante a meia luz
Das grades sociais.
Resistência
Não há um ponto a retornar apenas siga.
Resista a esta sociedade viciada em ideias prontas.
Quebre as regras criadas, para mantê-lo livre de seus pensamentos.
Seja a criança que costumava ser.
Enfrente seus heróis você não é um soldado.
Não receba ordens.
Não aceite que controlem sua mente.
Mantenha-se livre das drogas liberadas pelo poder.
Consuma pensamentos livres e errantes.
Não aceite ideias, atos e mensagens pre-determinados.
Por uma sociedade corrupta.
Você não é mais um.
Resista. Insista!
Não permita que te acorrentem, que te amedrontem.
Insista. Resista!
Não se cale, seja a voz a ser ouvida.
O limite a ser vencido.
Por aqueles que se incomodam.
Por você ser a resistência.
Diga aos seus.
“Juntem-se a mim e RESISTAM''.
Já sentiu a chuva fria depois de um dia de sol seus pés
beijando a areia quente suas mãos carregando água fresca a boca o vento
beijando seu rosto suado o cheiro doce de uma flor deitou-se com um
desconhecido sentiu frio em uma tarde de verão amou sob um céu coberto de
estrelas beijou o espelho tomou banho de roupa deixou o sorvete ir ao chão chorou
vendo um filme de amor sentiu medo quando ele fechou a porta comprou coisas que
nunca usou carregou o mundo em sua bolsa sentiu que aquela música falava de
você afogou as mágoas em uma caixa de chocolates odiou vingou-se arrependeu-se sentiu-se
feia gorda magra despenteada insegura decidida namorada esposa amada amante menina
mulher assim sou eu assim e você assim é um pouco de todas nos esteja onde
estivermos somos quem somos lindas feias ricas pobres conhecidas desconhecidas
casadas solteiras mães filhas netas castas despudoradas brancas negras
asiáticas cabeludas carecas religiosas ateias clássicas elegantes despojadas reais
sonhadas desenhadas pintadas fotografadas realizadas frustradas amadas rejeitadas
frágeis fortes anjos demônios somos caminhos curvos perguntas sem resposta
somos sangue somos ventre somos únicas
únicas?!!?
''morto ao alçar a voz''
Amor
alenta-te
amor
levanta-te.
O menino do deserto
perambulava solitário
fincando os pés na areia
falando do céu e de
escorpiões
trazendo miseras e suadas
tâmaras
deslizando como um anjo entre
as brumas arenosas
brincando próximo ao minarete
suflando o vento
percorrendo uma rua sem volta.
Menino
que se afogarão em areias
não me diga que se perde
aquilo que não se tem
não me deixe levar por
seus tolos pensamentos
reais.
Menino
não me diga que as almas
desaparecem nas montanhas
onde renascerão na noite
seguinte
não me diga que a fé não
nos irmanará
não me diga que desiste
de mim.
O menino do deserto
brincava de vida
destinava comiseração
arfava-se de dor
o menino do deserto
desenhou o celerado
acenou sorrindo
até verter
a vermelha fé.
Amor
regresse
amor
leve-me
ao fim.
Caminhe
lentamente
Sobre meu corpo
Dê-me suas mãos
Brancas
Seu beijo doce
Sob a lua densa
Nua
Calada
Ame-me.
Como a mais
perfeita
E cálida
Homenagem
Caminhe por entre
Os vales escondidos
De minha alma.
Emudeça meu silêncio
Refresque meu corpo
A lua nos trará
Lembranças
Dessa noite
Que se banhou
De tolos
pensamentos
Em serenata
Que se faça
A áurea
Sobre nossos
corpos
Perdidos
Refugiados em encantamento.
Guie meus lábios
Em direção aos seus
Entrelace minhas
mãos
Nas suas úmidas mãos
Absorva os
segredos
Da lua
Ela admira sua
coragem
Ela contempla
Nossa adorável
tolice
Na noite serena
Branca e cálida
Somos perdoados
Pelo céu, pela
lua
Por sermos
Apenas um.
LIVRE
Caminho sob as sombras da ignorância
Sigo passos desenhados pela hipocrisia
Encontro-me em meio a rostos desnudos
De sorrisos cavilosos
Assino as regras impostas por uma
Sociedade servil desesperada
Em busca da vida conformista
Previamente descrita
Artificialmente rebuscada
Por burgueses inexatos
Posto-me diante da esfinge ‘humana’
Que me devora por minha inabilidade
Buscam a ‘incoerência’ dos meus atos
No grande livro das condutas toleráveis
Julgam minha cor, meu corpo, julgam minha fé ou a
falta dela
Julgam minhas roupas, meus cabelos e até minha libido
Enquanto
psíquicos mestres
Assinam o veredito
“Inapta ao convívio da sociedade moral’’
Munidos de suas verdades encerram ‘a liberdade’
Agiganto-me derrubo o embuste
Dilacero as amarras, retiro a casca imposta
Regozijo na indecência da decência dos castos
Purifico-me na alma dos impuros, puros
Beijo cinicamente a face dos acéfalos, cultos
Saboreio a amizade dos meus
Abraço os que me são caros
Agradeço a compreensão dos incompreendidos
Enquanto aguardo o pedido de perdão: dos ignorantes
Grito: Enfim LIVRE!
NATURAL
Pousado em teu seio quente.
A relva do amanhecer.
Guarda tuas lembranças.
De longínquos momentos brandos.
Teu grito ecoa solitário.
Perdido, despido.
Arrependido.
Tuas águas mornas.
Dragam-se nas rupturas humanas.
Quem há de cuidar de ti?
Eu? Que tão pouco sei de mim!
Que não dou mais, que um passo.
Sem te ferir, sem lançar sobre ti.
Os malefícios da modernidade.
Tu que era tão bela, tão jovem.
Traz agora marcas indeléveis.
Em tua face azul.
Teus seres outrora livres.
Agora se veem aprisionados.
Enjaulados, acuados.
Tristes, perdidos.
Tuas vestes vivas, coloridas.
Agora são moldadas, refeitas, recicladas.
Esperamos tanto de ti.
Tiramos tanto de ti.
Em troca derramamos por todo o teu corpo robusto.
Nossos refugos, nossos dejetos nossa ignorância.
Ainda me lembro de ouvir falar que tu.
Um dia foi tão verde que parecia ser eterna.
Ouvi falar que tuas águas límpidas, sagradas.
Eram inesgotáveis!
Mentiras que cresci querendo acreditar.
Sei que ainda guarda, belos prazeres, em forma de cenários.
Que não fiquem!
Futuramente aprisionados, refugiados.
Apenas em lembranças, pinturas ou fotografias.
Desejo-lhe vida longa, infinita!
Que meu último beijo seja em tua boca ‘’Natural’’!
Tua boca de “Terra”.
Imagem:
<a href='https://www.freepik.com/photos/nature'>Nature photo created by wirestock - www.freepik.com</a>
O Samba
O samba, não mora mais aqui
fez as malas e partiu
para onde ninguém viu.
O samba, carregou a felicidade
deixando a saudade
do mestre que partiu.
A lua ilumina a pobreza
dando de cara com a certeza
que a força mora aqui.
Com os meninos
deixou a esperança
e o ouro
em seus pés.
Na roda canta-se a tristeza
misturada com a incerteza
de que o samba, não vai mais voltar.
O samba
ouviu todos os lamentos
resolveu do firmamento
então voltar.
O samba chora a saudade de outros tempos
quando vestido de majestade
andava de braços dados
com a liberdade.
Imagem de Luciano Raul Mazeo por Pixabay
Escrever é grato, lúdico, prazeroso, esclarecedor.
Discordo!
Escrever é penoso, ingrato, desafiador.
Cada linha, uma sentença, cada página uma tortura.
Sofrimentos, desilusões, por fim fracasso.
Escrever é se agarrar em caminhos escuros, parcos,
inverossímeis.
Se pôr à espera do julgamento filosofal.
Do travestido de bom entendedor.
Daquele que te pune, que te ignora, por não ser o
próprio.
Objeto de tuas linhas.
Escrever é sangrar na minha ignorância.
É estar sozinha, sempre.