21.10.09

Que Belo




Que belo
Ela dança
Entre os anjos
Que belo!
Que triste
Soaram os sinos
Que triste!
Que triste
Ela morreu
Que triste!
Lágrimas não bastam
Tampouco todo seu amor
As mãos fortes e tremulas
A sufocam
Tiram-lhe o ar
Tiram-lhe os sonhos
Tiram-lhe tudo
Tudo!
Ele a beija
Sedento de amor e desespero
Perdido em um caminho sem volta
Ele busca palavras
Que não tem
Ele chora
Ela chora!
Ele leva as mãos ao peito
Grita de desespero
Os anjos não parecem ouvi-lo
Mas ela sim
Ela sim!
Seus lábios esperam
Por um beijo
Seu coração
Quer libertar
Todo o amor
Contido
Escondido!
Ele a busca com firmeza
Ela se volta
Que bom
Que veio
Ela sorri!
Seus passos são largos
Na estreita rua
Banhada pela escuridão
Ela não o vê
Os olhos dele seguem os comprimentos recebidos
Os olhos dele seguem todos os olhares
A ela dados
Ela se deslumbra
Ele arde de ódio
Ódio!
Que belo.
Soaram os sinos
Que belo!
Depois das longas palmas
Recolhem-se todas
As pétalas
Do fim do espetáculo
Levemente ela toca
Seus pés nas nuvens
Suas mãos deslizam
Seu corpo se inclina
Que alivio
Acabou!
Rostos estranhos estão a sua frente
Carregados de sentimentos, sofrimentos, desapego
Que estranho
Ela sente!
Suas mãos buscam as mãos seguras e frias
De seu par
Seu sorriso está escondido
Mas sua decepção
Ela vê!
Ela dança
Em um suave levitar
Ela cai
Que inevitável
Ela cai!
Levemente ela desliza
Vai de um lado a outro
Todos os olhares acompanham
Sua 'alma'
Ela treme
De horror!
A seu corpo
Pertence uma áurea de estrela
Ela é absoluta
Ela é única
Que triste
Única!
Ela dá o primeiro passo
Sussurra proteção
Ela gira, lindamente ela gira
Seus pés cortam o ar
Desenham o belo
O sagrado
A arte!
De pé
A ansiedade toma a todos
Que compartilharão os aplausos
Até o soar dos sinos
Dos sinos!
Abrem-se as cortinas
Enfim
Abrem-se as cortinas
Púrpuras cortinas!
A espera é longa
Ela disfarça
Sorri
Reza
Ela reza!
Em passos largos
Caminha em direção
Ao palco
Tão feliz
Tão feliz!
Seu rosto e coberto em áurea brilhante
Seu corpo envolvido
Em véus de estrela
Que linda
Que linda!
Enfim
Hoje soaram os sinos
Enfim!




17.2.09

''Lívia''


Como posso fazê-lo ver
Que posso esquecer meus sonhos
Se você não puder sonhá-los


Como posso fazê-lo acreditar
Que e fácil fechar os olhos
E encontrar-me ao seu lado após abri-los


Como posso fazê-lo saber
Que tenho apenas treze
Que ainda vou mudar muitas vezes


Como posso fazê-lo lembrar
Que quero estar perto em um momento
E seguir momentos depois


Como posso fazê-lo perceber
Que mudo como o vento
Que erro na mesma velocidade que acerto


Como não faze-lo esquecer
Que tenho apenas treze
Que sou tão profunda e tão superficial


Como posso fazê-lo responder
As minhas perguntas
Sem me interessar pelas respostas


Como posso fazê-lo ouvir
Meus momentos de lucidez
Camuflados pela insensatez


Como posso fazê-lo recordar
Que tenho apenas treze
Que posso ser feliz em meio à infelicidade


Como posso fazê-lo buscar
Meus lábios inocentes
Meu medo sempre presente


Como posso fazê-lo sorrir
Com minhas tolices
Com minha cumplicidade


Como posso fazê-lo pressentir
Que quando minto
Digo sempre a minha verdade


Como posso fazê-lo suportar
O fato de ter apenas treze
De ser lívida de ser ‘’Lívia’’

"Viviani Ketely"

16.12.08

*ORATÓRIO DO ANJO*


I
Mandaste-me uma missiva
cheia de vícios
tundas e mistérios
dando-me a incumbência
de prostrar-me diante
da árdua tarefa
de receber teu preclaro amigo
desejo obumbrar-me da mesma
sabes que durante muito tempo
alimentei-me de presas vivas
que se debatiam angustiadas sob
minhas asas.

II
Tua segunda missiva
chegou-me antes do ocaso
quase as vias de lançar-me à cegueira
...vem tu ameaçar-me
de regeneração
pois, devo-lhe fazer saber
que tuas palavras
causaram-me risos
teus avisos são efêmeros
tuas preces inalcançáveis
todavia e com engulho
que hei de lhe cumprir este favor.

III
Faço lhe saber que
cumpri minha árdua tarefa
ainda lhe informo que da mesma
fiz minha vivenda
construí o nicho com repulsa
adornei-o com verônicas
deixei-o aos olhos
embriagado de beleza
tomando o cuidado
de manter-me a salvo
no obscuro.

IV
Pus-me a esperar
pelo teu tão ilustre convidado
com minhas mãos cobertas
de espinhos
e meu ser em cóleras
sedento para dar-lhe um
pouco de lidite.

V
Adormecia junto ao limo
quando sua presença foi anunciada
o vi aproximar-se
em seu misero feixe luzente
caminhei até o tojo
e ali permaneci
vendo-o examinar
o oratório.

VI
Suas mãos acariciaram
a madeira morta
olhou-me de súbito
e colocou-me no chão
seu sorriso lançou-me às nuvens
de onde há muito cai.

VII
Deu-lhe vida ao oratório
enchendo-o de amor
sentou-se
brincou com as flores brancas
guiou-me até seus límpidos olhos
sepultou meu fel
abriu minhas fraquezas.

VIII
Eu que era trevas
coloquei-me aos pés da luz
eu que era medo
tornei-me insignificante
eu que era o 'fim'
recomecei.

"Viviani Ketely"

6.11.08

O Mar



O mar me chamou, me chamou meu senhor;
O mar me chamou, me chamou sim senhor;

Era noite de luar, Oxalá era sim;
E o mar me chamou, me chamou sim;

Feito menino pequeno fiquei escutando;
As batidas das ondas na praia, tão forte batiam;
Que me pus a rezar, à Santa do mar;

Iemanjá perfumou, perfumou o mar;
Perfumou sim senhor, Iemanjá perfumou o mar;

Bem longe! Aonde pouco a vista alcança;
Vinha um barco, hora em cima, hora embaixo;
Batendo nas costas largas do mar;

Dentro dele, tinha um menino, franzino, miúdo, pequeno
Segurava bem forte, bem firme: o mastro seco, pelado do barco;
Sorrindo com as chicotadas; do pai

Não dei muita conta, do moleque;
Arrastei minha carne fraca, prós braços do mar;
Este me abraçou bem forte, quase me arrancou a alma;
Minhas costelas se fizeram em vidro;
Era o mar meu senhor, era o abraço do mar;

Fechei os olhos, fui lá pro fundo, calmo;
Tinha uma brisa tão fresca, que me trouxe de presente;
O cheiro da Maria, doce, suave, suado;

Com medo de perder a visão, abri os olhos de uma só vez;
Só para ver, as cores da alma do mar;
Em noite de luar;

Branco, brilhante, ofuscando o pensamento;
De um velho pescador; trazendo lembranças;
De quando menino; com gosto pela vida; senti saudades;

Os tesouros dormiam, se via um ou outro pequenino;
Se banhando: na luz branca, e calma;
Do mar;

Não sei o que fiz; mas ele – ficou revolto;
E me cuspia, me cuspia o mar;
Pedi perdão, ele nem fez questão;
Na água nervosa, tentava me agarrar;
Estava frio, ele não queria me agasalhar;

O ar que entrava pelas narinas era gelado;
Doía até a alma, tudo ficou negro;
Não sei onde foi parar o luar;

Eu tentava desesperado, voltar para seu leito quente;
Mas ele lançava-me para fora;
Como podia senhor lutar, lutar contra o mar?

Estava cansado;
Pensava: O que fizera de tão grave?

No meio dos castigos do pai:
Minha mão foi encontrada; ficou segura, ficou firme;
Fui arrancado de lá;

Etá! Menino que viaja sozinho, em um barco mais velho do que eu;
Se metendo, onde não é chamado;
Olhei sisudo, para aquele atrevido;
Ele só fazia rir, menino metido a besta;

O mar não me quis meu senhor, não me quis o mar;

'O barco vai se quebrar nas pedras' pensei;
Mas ele passou por cima;
Seria o barco do mar?

Meus pés beijaram a areia, o céu trouxe de volta o luar;
E lá se foi o menino e seu velho barco, se afastando, se afastando;
Até serem engolidos, em um único beijo;

O mar meu senhor, me devolveu;
Pros braços da Maria;

"viviani ketely"

1.10.08

O Amor.



O amor enveredou-se a passos largos
O amor enunciou escrituras
O amor auferiu sentimentos
Até encontrar-me

O amor trouxe-me Valerianas
O amor relatou-me conquistas
O amor velou-se
Até possuir-me

Por ele amei sobre os girassóis
Por ele dancei sob as águas
E por ele adormeci

O amor forjou-me ‘ser’
Por ele parti
A ele sobrevivi

"Viviani Ketely"

8.9.08

'QUIMERA'


O que é o amor? Um tolo menino sibilando talvez.
O que é o amor? O mesmo menino intrínseco talvez.
Ou será um homem cabedal.
Com uma mulher a cobrar-lhe usuras.

O que é o amor? Uma boneca sob chuva de ouro.
O que é o amor? Um bárbaro colhendo mimosas.
Um matriarcado o será?
Servindo a um romanceiro.

O que é o amor? Uma centenas de porquês.
Um caminhar sozinho.
Uma terra longínqua.

O que é o amor? Uma espera pelo anoitecer.
Um amerceador.
Uma quimera aveza...talvez.

"Viviani Ketely"

20.5.08

Advirto


Advirto
Ao diabo com seus pudores
Advirto
Os encaixes não precisam ser refeitos
Advirto
Que aprendo com meus erros
E me repreendo em sua voz
Advirto
Que faço do meu corpo
Seu arrependimento
E for fim
Advirto
Carregue-me, contudo
Em forma de ausência

"Viviani ketely"

Barra de vídeo

Loading...