25.1.10

ÚNICAS


Já sentiu a chuva fria depois de um dia de sol seus pés beijando a areia quente suas mãos carregando água fresca a boca o vento beijando seu rosto suado o cheiro doce de uma flor deitou-se com um desconhecido sentiu frio em uma tarde de verão amou sob um céu coberto de estrelas beijou o espelho tomou banho de roupa deixou o sorvete ir ao chão chorou vendo um filme de amor sentiu medo quando ele fechou a porta comprou coisas que nunca usou carregou o mundo em sua bolsa sentiu que aquela musica falava de você afogou as magoas em uma caixa de chocolates odiou vingou-se arrependeu-se sentiu-se feia gorda magra despenteada insegura decidida namorada esposa amada amante menina mulher assim sou eu assim e você assim é um pouco de todas nos esteja onde estivermos somos quem somos lindas feias ricas pobres conhecidas desconhecidas casadas solteiras mães filhas netas castas despudoradas brancas negras asiáticas cabeludas carecas religiosas atéias clássicas elegantes despojadas reais sonhadas desenhadas pintadas fotografadas realizadas frustradas amadas rejeitadas frágeis fortes anjos demônios somos caminhos curvos perguntas sem resposta somos sangue somos ventre somos únicas
únicas?!!?




9.1.10

NATURAL





Pousado em teu seio quente
A relva do amanhecer
Guarda tuas lembranças
De longínquos momentos brandos
Teu grito ecoa solitário
Perdido, despido
Arrependido
Tuas águas mornas
Dragam-se nas rupturas humanas
Quem há de cuidar de ti?
Eu! Que tão pouco sei de mim.
Que não dou mais que um passo
Sem ferir-te, sem lançar sobre ti
Os malefícios da modernidade
Tu que era tão bela, tão jovem
Traz agora marcas indeléveis
Em tua face azul
Teus seres outrora livres
Agora se vêem aprisionados
Enjaulados, acuados
Tristonhamente perdidos
Tuas vestes vivas, coloridas
Agora se vêem moldadas, refeitas, recicladas
Esperáramos tanto de ti
Tiramos tanto de ti
Em troca derramamos por todo o teu corpo robusto
Nossos refugos, nossos dejetos, nossa ignorância
Ainda me lembro de ouvir falar que tu
Um dia foi tão verde que parecia ser eterna
Ouvi falar que tuas águas límpidas, sagradas
Eram inesgotáveis
Que engodo, que cresci querendo acreditar
Sei que ainda guarda, belos prazeres, belos cenários
E com esperança espero: que os mesmos não fiquem
Futuramente aprisionados, refugiados
Apenas em lembranças, pinturas ou fotografias
Desejo-lhe vida longa, infinita
E que meu último beijo seja em tua boca ‘’Natural’’
Tua boca de “Terra”



Ao lado de ti


Encontre-me
Tu me procuras nas flores que nascem pelos campos.
Tu me procuras no amor que me queres dar
Ou no amor que queres receber
Tu me procuras na tua dor, no teu lamento, em teu pranto
Tu me procuras em meio a sorrisos escondidos
Lugares inimaginados
Elos esquecidos
Tu me procuras quando se curva, quando prostra tuas mãos,
preparando assim teu mais novo pedido ou tua dolorosa suplica
Tu me procuras no nascer dos teus filhos, em tuas idas e vindas
Tu me procuras no céu, nos mares, nos templos
Pois lhe digo, antes de tudo
Procures-me dentro de ti
Pois se lá tu me encontrares
Me encontrará em todos os lugares
Bem
Ao lado de ti.