9.1.10

NATURAL





Pousado em teu seio quente
A relva do amanhecer
Guarda tuas lembranças
De longínquos momentos brandos
Teu grito ecoa solitário
Perdido, despido
Arrependido
Tuas águas mornas
Dragam-se nas rupturas humanas
Quem há de cuidar de ti?
Eu! Que tão pouco sei de mim.
Que não dou mais que um passo
Sem ferir-te, sem lançar sobre ti
Os malefícios da modernidade
Tu que era tão bela, tão jovem
Traz agora marcas indeléveis
Em tua face azul
Teus seres outrora livres
Agora se vêem aprisionados
Enjaulados, acuados
Tristonhamente perdidos
Tuas vestes vivas, coloridas
Agora se vêem moldadas, refeitas, recicladas
Esperáramos tanto de ti
Tiramos tanto de ti
Em troca derramamos por todo o teu corpo robusto
Nossos refugos, nossos dejetos, nossa ignorância
Ainda me lembro de ouvir falar que tu
Um dia foi tão verde que parecia ser eterna
Ouvi falar que tuas águas límpidas, sagradas
Eram inesgotáveis
Que engodo, que cresci querendo acreditar
Sei que ainda guarda, belos prazeres, belos cenários
E com esperança espero: que os mesmos não fiquem
Futuramente aprisionados, refugiados
Apenas em lembranças, pinturas ou fotografias
Desejo-lhe vida longa, infinita
E que meu último beijo seja em tua boca ‘’Natural’’
Tua boca de “Terra”



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